quinta-feira, maio 21, 2009

Geração wireless


Que geração é essa?

Geração wireless, geração futuro-a-vista, geração etiqueta-mais-cara-que-a-roupa-em-si, geração minha-família-não-presta-só-eu, geração me-importo-mais-com-aquele-músico-desconhecido-do-que-com-minha-irmã, geração sexo-é-nada, geração amor-é-bom-dia, geração tudo-é-comprável, geração-todos-tem-seu-preço, geração i-don't-care-at-all, geração pra-que-humanidade?, geração pra-que-árvores?, geração sou-sábio-mas-não-sei-nada, geração não-vejo-jornal-pq-é-chato, geração não-leio-NADA-pq-ler-é-chato, geração bulímica, geração beleza-acima-de-tudo, geração beleza-distorcida-com-vulgaridade, geração que-beleza?, geração que-beleza-hein..., geração ser-sensível-é-brega, geração distorção...

Geração? Aborto nacional. Aborto mundial! Aborto mental, espiritual. Aborto humano.

As linhas da padronização da beleza a muito passaram de vulgaridade. Ser vulgar hoje em dia, é recato. Não há nomenclatura encaixável nesse tipo de gente peranbulante por aí, que não lembra mais que o efeito do que é "não visto" é muito mais impactante que a normalização do que deveria estar tampado. A desvalorização da mulher está em alta nessa estação, e rezamos pra que a próxima haja um CRUSH nessa "bolsa de horrores"

Manchete no jornal: "Crush é tendência mundial!" mas o jovem não quer ler. Nem saber. "Se fosse importante mesmo saia na internet" E se o avô ou avó tenta alertar... tenta lembrar, que ainda há meios, sem freios o jovem dispara, "Ah, vó, pára!" E eles param. Pararam desde muitos anos, fizeram mais que o suficiente pelo Brasil, digo-lhes com fervor.
Mas os netos não se dão ao mesmo louvor, eles só querem saber de amor, não o amor de antigamente, o amor de hoje não é inocente, e é inconsequente. Quem ama hoje não amaria ontem, pois esse amor é tão válido como uma nota de três reais. Tão valioso quanto.

Mas se fossem no ontem, esses netos tomariam esses avós como exemplo e lutariam pelo seu futuro como foi feito antigamente. Nos tempos da ditadura, esses avós eram lutadores.
Pintaram os rostos, e sairam as ruas caminando e cantando e seguindo a canção. Tanto fizeram que conseguiram. E com o famoso "impeachment", derrubaram o Collor...

Tá, tá certo, há uns 3% dos jovens que ligam pra tudo isso. Mas, quem dá voz hoje em dia a "três por cento"? Ninguém. Ninguém deu voz aos seus avós tbm! Eles eram 100%? Não, mas se fizeram ouvir. MESMO QUANDO NÃO SE PODIA SUSSURRAR!

E hoje, pelo o que lutam nossos jovens? Lutam por um mp3 melhor, com tanta guerra. Por uma melissa mais cara que a da coleguinha de classe, com tanta poluição. Por umas marca mais famosa que a outra, com tanta pobreza e efemeridade no mundo!

E aqueles 3%? Lutam. Pelo que, eu acho que a maioria não sabe. Perdido nessa guerra de interesses, rostos feitos de vidro ou qualquer coisa que reflita não o brilho do olhar do que é ouvido, não mais. Refletir a sí mesmo, é claro. Pra que outra pessoa no mundo?

Hoje eu fiquei sabendo que haverá uma CPI sobre a petrobras, e quem vai dirigir é... o Collor.
Aquele Collor que roubou milhões, aquele Collor que foi tirado do poder, AQUELE Collor que seus avós lutaram TANTO (e muitos avós morreram lutando) pra tirá-lo de lá! Por que ele não queria aquela vida pra você.

E hoje está você, cada vez mais "consciente" do seu dever público e político (mas que nada faz a respeito), mergulhado em tecnologia, rodeado de rótulos, esquecendo tudo o que o seu país passou, por que sua pouca visão está focada no futuro. Tudo o que passamos pra que você estivesse mergulhado em tecnologia... Tudo o que eles passaram por você.

E esse é o seu retorno...
Geração Que-beleza, hein. Que beleza, hein, geração.

É, o zé povinho não tem memória.

2 comentários:

Thainá Dutra disse...

GENTE! :O
Mandou SUPER bem! *-*

Sabe que hoje estava lembrando dessa época da ditadura? É, ouvindo umas músicas feitas pra protestar, mas que só foram pros CD's nos últimos anos, por culpa da bendita Censura.
E se hoje foram pras rádios, é realmente culpa desses avós!
Aaahh se o mundo fosse como antigamente, viu!
Haveria mais vida, haveria mais graça, mais amor, mais flores, mais "sair pra ver o pôr do sol"...
"Que beleza, hein, geração!"

Phills disse...

A gente também devia lutar mais um pouco.

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